terça-feira, 11 de novembro de 2008

Benefícios para plantio de cana podem ser vetados

O plantio de cana-de-açúcar na Amazônia pode não receber benefícios de instituições financeiras. A concessão de crédito e incentivos para implantação e operação de agroindústrias de cana para produção de álcool etílico está sujeita a sofrer restrições. Juros menores, subsídios governamentais e equalização da taxa de juros podem ser vedados aos agricultores dessa região.
A preocupação com a preservação da floresta amazônica é a principal justificativa da deputada Rose de Freitas (PMDB/ES), autora do projeto de lei nº 2.323/07, que visa a restringir a atuação dos bancos. Ela reconhece que o zoneamento agrícola de 2008 prevê a destinação apenas de áreas já degradas ou devastadas para a cultura da gramínea. Mas segundo a deputada, sempre haverá desmatamento prévio e queimadas para o corte da cana, o que contribuirá para a elevação da emissão de gases e para a redução da biodiversidade brasileira. “Nada garante que os plantios serão feitos nessas áreas e mesmo que seja, o sistema de produção utilizado, de monocultura, traz sérios prejuízos ao equilíbrio dos ecossistemas”, adverte.
Rose acredita que a forma adequada de limitar a expansão da monocultura de cana na amazônia é a imposição de restrições econômicas que tornam pouco vantajosa a exploração. “Os incentivos devem ser direcionados para o plantio de lavouras produtoras de matéria-prima para a produção de biocombustíveis em outras regiões, não na Amazônia”, conclui.
O relator do projeto, Celso Maldaner (PMDB/SC), pensa que o zoneamento feito no início do ano por entidades como a Embrapa, o Inpe e o IBGE, é bastante conclusivo e correto. O estudo apontou que nenhum novo projeto pode ser instalado na Amazônia, mas as três indústrias que já existem devem ser mantidas. “Segundo as conclusões do zoneamento agroecológico, no Brasil existem áreas mais do que suficientes para a expansão da produção de cana-de-açúcar, sem que haja a necessidade de derrubar uma árvore sequer”, afirma o parlamentar. Ele é contra a aprovação do texto.
O PL nº 2.323/07 está na pauta da reunião da Comissão de Agricultura desta quarta-feira, 12, às 10h00, no plenário 6.
(Texto: Rafael Walendorff/ Edição: Guida Gorga/ Capadr)

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