quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Subcomissão cobra prioridade para viabilização da produção de fertilizantes

Brasília, 17/12/2008 - O deputado Leonardo Vilela (PSDB/GO), (foto) presidente da Subcomissão dos Fertilizantes, colegiado vinculado à Comissão de Agricultura da Câmara Federal, acredita que o Brasil tem potencial para ser auto-suficiente em fertilizantes. Ele cobrou que o Governo Federal dê prioridade a pesquisas e estudos para descobrir a quantidade de minerais existentes no território nacional e a real possibilidade de exploração deles.
Em reunião na tarde desta quarta-feira, 17, a Subcomissão recebeu representantes da Casa Civil e do Ministério de Minas e Energia para discutir formas de reduzir custos e diminuir a dependência dos fertilizantes estrangeiros. Os deputados elogiaram a demonstração de preocupação do governo, relatada nas exposições feitas pelos convidados, que apresentaram resultados de trabalhos já iniciados, mas alertaram que isso é só o começo.
Antônio Andrade (PMDB/MG), relator da Subcomissão, quer mais intensidade nos trabalhos. “Se quisermos nos tornar um grande país produtor de alimentos, não podemos ser tão dependentes do exterior. Precisamos aumentar a nossa produção interna, é um questão de segurança nacional”, disse.
Andrade tem certeza que o Brasil pode ser livre da dependência de fosfato, importante mineral utilizado nos fertilizantes. “Se as jazidas existentes forem exploradas como nós queremos, só o Estado de Minas Gerais é capaz de abastecer o país com fosfato por 50 anos”.
Os parlamentares compararam a situação atual com a do petróleo há algumas décadas. Leonardo Vilela disse que o governo acreditava que o Brasil não tinha capacidade de produzir petróleo e que seria dependente para sempre. Com o trabalho da Petrobrás e investimentos na área, hoje o País é auto-suficiente. O presidente ressaltou sua crença no potencial brasileiro e pediu que o Governo trate de modo diferenciado a questão dos fertilizantes.
O deputado também questionou a destinação de gás natural para a indústria automobilística. Ele disse que a produção de nitrogenados (como uréia e amônia) deve ser prioridade e pediu um remanejamento desse gás. Ele argumentou ainda que precisa haver esforço e estratégia para a realização de estudos sobre o potássio. “Cerca de 90% da agricultura brasileira depende do potássio importado do Canadá e da Rússia. Se houver uma suspensão das importações, a agricultura entra em colapso. Precisamos desenvolver pesquisas”, disse.
Roberto Ventura Santos, do MME, apresentou boas perspectivas de exploração de fosfato em jazidas sedimentares, do uso de potássio presente em resíduos de algumas minas e da investigação das possibilidades existentes no Pré-sal e na plataforma continental, onde existe fosforita e granulados marinhos. Os parlamentares gostaram das exposições, mas pediram agilidade nas decisões políticas em torno da questão.

Fertilizantes: custo da produção interna pode ser mais alto que importação
Segundo dados do assessor especial da Casa Civil, Celso Knijnik, a produção nacional de nitrogenados pode ser mais cara que a importação. Questionado pelo presidente da Subcomissão, deputado Leonardo Vilela (PSDB/GO), sobre a não destinação de gás natural para produção de fertilizantes, Celso destacou que o Governo Federal tem outras prioridades. Ele disse que em primeiro lugar está a segurança energética do País e depois a produção industrial. O assessor informou ainda que a disponibilidade de gás não é o problema, mas sim o alto custo da viabilização da produção de insumos para a agricultura, que tornaria, por exemplo, a uréia produzida internamente mais cara que a importada. Celso Knijnik representou, na reunião, a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef.
(Texto: Rafael Walendorff / edição: Guida Gorga / Capadr)


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