Brasília, 29/04/2010 - Os três órgãos envolvidos no registro e na alteração das fórmulas dos agrotóxicos – a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Ministério da Agricultura – vão apresentar aos parlamentares, em duas semanas, avanços na discussão de uma norma conjunta que simplifique e harmonize o processo de mudança e registro de componentes desses produtos em cada pasta.
O compromisso foi firmado nesta terça-feira, durante audiência da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, pelo diretor da Anvisa José Agenor da Silva; pela coordenadora de Avaliação Ambiental de Substâncias e Produtos Perigosos do Ibama, Kênia Godoy; e pelo Secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Inácio Kroetz.
Segundo o deputado Marcos Montes (DEM-MG), esse é o prazo para que a comissão instale uma subcomissão voltada à análise das leis em vigor sobre os agrotóxicos.
O deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR) informou que um grupo de parlamentares deve se reunir na próxima semana com a subchefe-adjunta de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, Tereza Campello, para pedir rapidez na definição de normas mais claras para o registro e a alteração de componentes dos agrotóxicos.
Demora e burocracia
Motivado por críticas das empresas produtoras de agrotóxicos, que reclamam da morosidade e do excesso de burocracia do processo atual, o ministério da Agricultura encaminhou, em setembro, uma proposta de norma sobre os procedimentos relativos a agrotóxicos nos ministérios da Saúde e do Meio Ambiente.
Números apresentados por Inácio Kroetz apontam que, nos últimos três anos, mais de 100 pedidos de alteração de componentes de fórmulas foram feitas, mas apenas 14 tiveram a sua análise concluída.
O ex-deputado Luciano Pizzatto, relator de uma proposta de fiscalização e controle dos agrotóxicos, disse que a legislação fixa o prazo de 120 dias para o governo decidir sobre os pedidos de mudança de componentes, mas alertou que esse prazo não é cumprido. “Os órgãos públicos estão ilegais, pois não cumprem o prazo definido em lei. Foi isso o que vimos na nossa fiscalização”, afirmou.
A complexidade da definição do grau de toxicidade de cada componente e a falta de pessoal têm sido os empecilhos do Ibama para cumprir o prazo definido em lei, segundo a coordenadora Kênia Godoy. “O Ibama está em greve. Além disso, se determinarmos a prioridade para a análise dos pedidos de alteração de componentes certamente vamos prejudicar outras áreas”, afirmou.
Fonte: Agência Câmara
Reportagem – Carol Siqueira
Edição – João Pitella Junior
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