quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Trigo: produtor vende abaixo do preço do governo

Brasília, 20/11/08 - O deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR) cobrou hoje (20/11) do governo federal o cumprimento da legislação que prevê a garantia dos preços mínimos aos produtores de trigo. "É uma injustiça o que está acontecendo com os triticultores. Veja que eles foram estimulados a aumentar a produção e no momento de uma grande colheita, avaliada em 5,7 milhões de toneladas, se acham obrigados agora a vender o seu produto bem abaixo dos preços oficiais fixados pelo próprio governo", reclamou.
Micheletto informou que no Paraná, maior produtor de trigo, e onde o agricultor é mais bem remunerado, a saca de 60 kg, é comercializado em média, a R$ 25,50 para um preço mínimo de R$ 28,80. Nos demais estados, os triticultores estão recebendo um preço inferior ao praticado no Paraná, como é o caso do Rio Grande do Sul. Segundo o deputado, no mercado interno as negociações continuam travadas, com os compradores se abastecendo com o trigo importado pelas facilidades comerciais e de logística.
O coordenador político da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ressaltou que o governo parece ter esquecido o compromisso assumido com os triticultores em abril passado, quando lançou o Plano Nacional de Trigo com o objetivo de aumentar a produção. Na época, foi concedido um reajuste de 20% no preço mínimo e de 33% no limite de financiamento para o custeio das lavouras de trigo, além da possibilidade de contratação dos Empréstimos do Governo Federal (EGF) durante todo o ano, e não apenas no período da safra.
Depois de divulgadas essas medidas de incentivo, os produtores de trigo foram a campo para atender esse apelo do governo, resultando num aumento da área plantada em 31,4%. Foram cultivados nesta safra 2,39 milhões de hectares ante 1,8 milhão da safra anterior, enquanto a produção cresceu 49,6% passando de 3,8 milhões para 5,7 milhões de toneladas. "Quando o produtor é estimulado, a resposta é imediata, como foi o caso dos produtores de trigo que aumentaram em 50% a colheita de uma safra para outra", explicou Micheletto.
Agora que o triticultor precisa vender a sua safra por um preço remunerador para ter condições de pagar seus financiamentos se vê abandonado tanto pelo Governo quanto pela indústria e pelos moinhos, destacou o parlamentar. "Desse jeito, o produtor não pagará suas dívidas, nem nunca alcançaremos a tão sonhada auto-suficiência na produção de trigo, alimento tão essencial à mesa do brasileiro, e antevejo esse cenário com muita tristeza e indignação", protestou o deputado.

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