quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Demarcação de terras pode acabar com economia do MS

A demarcação de novas terras indígenas já causa enormes prejuízos ao Mato Grosso do Sul e se não for interrompida vai inviabilizar a atividade agropecuária no Estado. As afirmações são dos deputados Dagoberto (PDT/MS) e Waldir Neves (PSDB/MS), que contestaram as portarias da Fundação Nacional do Índio (Funai) que criam grupos técnicos para identificar e delimitar territórios supostamente pertencentes aos índios. Eles afirmam que a região pretendida pelas demarcações é de extrema importância e que o Mato Grosso do Sul não sobrevive sem ela. As declarações foram feitas na audiência pública realizada na manhã desta quarta-feira, 19, na Comissão de Agricultura da Câmara Federal.
Ao todo, uma área de 7 milhões de hectares, que envolve 26 municípios, é englobada pelas portarias. Segundo Dagoberto, esses municípios bancam o estado com o agronegócio. O parlamentar afirmou ainda que existem poucos índios na região e que a criação dos grupos técnicos cria instabilidade no local e gera conflitos desnecessários. Ele destacou a importância da região para a economia do MS. “O estado acaba se as demarcações persistirem. Todas as indústrias de álcool e açúcar daquela região já pararam, vários frigoríficos fecharam. Ninguém arrenda mais área nenhuma nem planta um pé de cana. Dependemos exclusivamente do agronegócio desse lugar”.
O deputado Waldir Neves acredita na existência de interesses internacionais nas jazidas de fosfato da região. Ele especulou que grandes empresas multinacionais podem estar manipulando a Funai para que o Brasil não produza calcário a partir das jazidas e continue na dependência do adubo estrangeiro. O deputado afirmou também que a concessão de terras não é a solução para a questão indígena. “ Os índios não querem voltar ao primitivismo. Sabem que não tem mais caça e pesca. Eles querem educação. Dar terra não resolve a situação, apenas cria tensão. A Funai precisa criar uma política de proteção ao índio”, ressaltou.
O presidente da Funai, Márcio Meira, presente à audiência, foi criticado pela iniciativa e recebeu sugestões dos deputados. Amparados por exposições do economista Normann Kalmus, os parlamentares ressaltaram que as demarcações vão acabar com a economia do Mato Grosso do Sul, tendo impacto direto na produção de grãos, oleaginosas, cana-de-açúcar, na pecuária e na geração de empregos. Waldir Neves e Dagoberto, que propuseram a reunião, alertaram para o impacto de maior relevância: o impedimento da exploração das jazidas da região.
(Texto: Rafael Walendorff/ Edição: Guida Gorga/Capadr)

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