Brasília, 25/03/2010 - Cerca de 20 mil pequenos produtores de laranja deixaram a atividade nos últimos 20 anos por causa da inviabilidade econômica. Outras dezenas de citricultores podem seguir o mesmo caminho, se medidas não foram tomadas no sentido de melhorar a rentabilidade dos pequenos. O alerta foi feito nesta quarta-feira (24), pelo deputado federal Duarte Nogueira (PSDB/SP). Ele convidou representantes da cadeia citrícola para debater o desequilíbrio econômico dos pequenos produtores de laranja. A audiência aconteceu nesta tarde, na Câmara dos Deputados.
De acordo com o parlamentar, houve uma concentração na indústria de sucos, reduzindo o número de compradores. Esse fenômeno, conhecido como oligopsônio, causa desequilíbrio na negociação, prejudicando diretamente o pequeno produtor que não têm grande volume de produto para negociar preço. Aliado a isso, há problemas sanitários que afetam a cultura da laranja e a concentração de 50% dos pomares produtivos nas mãos das indústrias.
O desequilíbrio entre o produtor e a indústria foi reforçado pelo deputado Mendes Thame (PSDB/SP). Segundo o parlamentar, a setor citrícola perdeu, nas duas últimas décadas, aproximadamente R$ 10 bilhões. As causas seriam o número reduzidíssimo de indústrias, geograficamente distantes, o que evita a concorrência direta entre elas; e o aumento da produção de laranja de forma inacreditável. Em 20 anos saltou de 5% para 20%. Muitos citricultores se valeram de empréstimos junto ao BNDES para aumentar os pomares. A baixa remuneração alcançada tem levado muitos produtores ao endividamento.
Segundo o secretário de Agricultura e Desenvolvimento Agrário de Sergipe, Paulo Carvalho Viana, os preços da caixa de laranja são alterados sem qualquer consulta ao produtor. “O preço é definido em cima da hora de forma unilateral, as vezes até quando o caminhão está descarregando”. Com o intuito de minimizar o problema, o governo de Sergipe assumiu a dívida de 1% dos produtores com dívidas junto ao Pronaf, informou o secretário.
Principal concorrente do Brasil na produção de suco de laranja, os Estados Unidos evitam a concentração e mantém os preços aos produtores acima do valor estipulado na Bolsa, explicou o presidente da associação Brasileira de Citricultores, Flávio Carvalho Viegas. “Na Flórida (EUA), eles não têm nenhum verticalização, ou seja, as indústrias não podem ter pomares próprios. O setor é mais organizado porque existe lei e autoridades que agem rapidamente, eles pagam aos produtores muito mais que aqui”.
O representante da Secretaria de Agricultura de São Paulo, José Luis Fontes, trouxe dados expressivos para a audiência. Só em SP, são 325 mil propriedades rurais, entre as quais, 22 mil cultivam citros. Destas, sete mil têm mais de cinco mil pés de frutas. O Estado de São Paulo é responsável pela produção de 350 milhões de caixas de laranja, 70% são destinadas à indústria de sucos e 30% para o consumo in natura . Para o Instituto de Economia Agrícola do Estado, a produção gera R$ 1,2 bilhão em faturamento. O mapeamento agrícola do Estado mostra duas regiões distintas: a região Norte do estado, mais tradicional, produz mais e exporta menos. Só essa região teve perda de 30% da produção. O preço da caixa caiu R$ 4,31 e o gasto com fitossaneamento tem pesado no bolso do produtor, foram investidos nos últimos anos cerca de US$ 130 milhões.
A partir do debate, a Comissão de Agricultura deve encaminhar, nos próximos dias, um relatório detalhado da situação dos produtores com dívidas e solicitar ao ministério da Fazenda uma política específica para o setor, visando a prorrogação dos débitos junto aos bancos oficiais.
Fonte: Assessoria de Comunicação - CAPADR
De acordo com o parlamentar, houve uma concentração na indústria de sucos, reduzindo o número de compradores. Esse fenômeno, conhecido como oligopsônio, causa desequilíbrio na negociação, prejudicando diretamente o pequeno produtor que não têm grande volume de produto para negociar preço. Aliado a isso, há problemas sanitários que afetam a cultura da laranja e a concentração de 50% dos pomares produtivos nas mãos das indústrias.
O desequilíbrio entre o produtor e a indústria foi reforçado pelo deputado Mendes Thame (PSDB/SP). Segundo o parlamentar, a setor citrícola perdeu, nas duas últimas décadas, aproximadamente R$ 10 bilhões. As causas seriam o número reduzidíssimo de indústrias, geograficamente distantes, o que evita a concorrência direta entre elas; e o aumento da produção de laranja de forma inacreditável. Em 20 anos saltou de 5% para 20%. Muitos citricultores se valeram de empréstimos junto ao BNDES para aumentar os pomares. A baixa remuneração alcançada tem levado muitos produtores ao endividamento.
Segundo o secretário de Agricultura e Desenvolvimento Agrário de Sergipe, Paulo Carvalho Viana, os preços da caixa de laranja são alterados sem qualquer consulta ao produtor. “O preço é definido em cima da hora de forma unilateral, as vezes até quando o caminhão está descarregando”. Com o intuito de minimizar o problema, o governo de Sergipe assumiu a dívida de 1% dos produtores com dívidas junto ao Pronaf, informou o secretário.
Principal concorrente do Brasil na produção de suco de laranja, os Estados Unidos evitam a concentração e mantém os preços aos produtores acima do valor estipulado na Bolsa, explicou o presidente da associação Brasileira de Citricultores, Flávio Carvalho Viegas. “Na Flórida (EUA), eles não têm nenhum verticalização, ou seja, as indústrias não podem ter pomares próprios. O setor é mais organizado porque existe lei e autoridades que agem rapidamente, eles pagam aos produtores muito mais que aqui”.
O representante da Secretaria de Agricultura de São Paulo, José Luis Fontes, trouxe dados expressivos para a audiência. Só em SP, são 325 mil propriedades rurais, entre as quais, 22 mil cultivam citros. Destas, sete mil têm mais de cinco mil pés de frutas. O Estado de São Paulo é responsável pela produção de 350 milhões de caixas de laranja, 70% são destinadas à indústria de sucos e 30% para o consumo in natura . Para o Instituto de Economia Agrícola do Estado, a produção gera R$ 1,2 bilhão em faturamento. O mapeamento agrícola do Estado mostra duas regiões distintas: a região Norte do estado, mais tradicional, produz mais e exporta menos. Só essa região teve perda de 30% da produção. O preço da caixa caiu R$ 4,31 e o gasto com fitossaneamento tem pesado no bolso do produtor, foram investidos nos últimos anos cerca de US$ 130 milhões.
A partir do debate, a Comissão de Agricultura deve encaminhar, nos próximos dias, um relatório detalhado da situação dos produtores com dívidas e solicitar ao ministério da Fazenda uma política específica para o setor, visando a prorrogação dos débitos junto aos bancos oficiais.
Fonte: Assessoria de Comunicação - CAPADR
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